11 de outubro de 2007

NÃO APRENDI DIZER "ADEUS FRANLAINE"


Ah não, a Franline foi-se! Me sinto highlander... meus amigos se vão. Mas chega de sentimentalismo, vai ser bom para ela e foi bom para nós, foi infinito enquanto durou.

Sim, éramos loucos juntos, uma mistura que só poderia dar loucura.
Adeus Peggle, adeus FITNESS, mais precisamente ULTRA, MEGA, SUPER, BLASTER FITNESS. Adeus falso Fitness, adeus Fitness enganoso, adeus Fitness duvidoso...


Minha salada de
cenoura com abacate
nunca mais será
a mesma.










3 de outubro de 2007

Nas margens do Ganges

por Rabindranath Tagore

Se gostas de ouvir narrações dos tempos passados, então senta-te nesse degrau e presta atenção ao chapinhar da água.

Estávamos nas proximidades do mês de Ashwin (Setembro). A ribeira ia cheia. Da escadaria que descia, somente quatro degraus estavam fora da água. Na margem da ribeira cresciam tufos de plantas compactos sob os ramos dos bosques de mangueiras, onde a corrente formava um ângulo e deixava a descoberto três grandes montões de tijolo As barcas de pesca, amarradas aos troncos de babilas, balouçavam-se indolentemente. Os grandes caniços que cobriam o banco de areia captavam os primeiros raios de sol e começavam a florir antes de atingir o seu pleno desenvolvimento.

Os barcos abriam as suas velas sobre a ribeira cheia de sol. O sacerdote, com os seus vasos rituais, dispunha-se a tomar o banho. As mulheres, em grupos, vinham buscar água. Era a hora em que Kusum tinha o costume de aparecer no alto da escadaria e tomar banho.

Mas naquela manhã não a vi chegar. Diante do ghât (1), Bhudan e Swarno lamentavam-se. A sua amiga - diziam - tinha sido levada para casa do marido, uma localidade muito afastada da ribeira, e que se distinguia por uma população estranha, casas estranhas e caminhos estranhos.

Entretanto ela quase desapareceu da minha memória. Passou um ano. As mulheres que vinham tomar banho falavam novamente de Kusum. Uma tarde, porém, estremeci ao reconhecer dois pés familiares. Mas ai, eles não traziam anéis e tinham perdido o seu tilintar musical de outrora!

Kusum estava viúva. Dizia-se que o marido fora chamado a uma cidade longínqua e que ela apenas o vira uma ou duas vezes. O correio trouxera-lhe a notícia da sua morte. Viúva aos oito anos, apagara na fronte o sinal vermelho de casada, despojara-se dos seus braceletes e voltara para a velha casa à beira do Ganges. Mas encontrou poucas amigas dos tempos de solteira. Bhudan, Swarno e Amala tinham casado e partido; só Sarat ficara; mas afirmavam que se dispunha a casar em Dezembro.

Da mesma forma que o Ganges, na estação das chuvas aumenta gradualmente de volume e transborda, assim Kusum se aproximava, dia a dia, da plena floração de beleza. Mas com vestes brancas e sem enfeites, de rosto pensativo e atitude calma, lançavam-lhe um véu sobre a juventude e ocultavam-na, como uma bruma, aos olhos dos homens. Dez anos tinham decorrido sem que ninguém reparasse que Kusum se desenvolvia.

Uma manhã, há muitos anos e por esta mesma temperatura de fim de Setembro, um sannyasi (2) jovem e de pele clara, chegado não se sabe donde, veio abrigar-se no templo de Sivá, na minha frente. A notícia da sua chegada em breve se espalhou por toda a aldeia. Abandonando as bilhas, as mulheres acorriam ao templo para saudar o santo homem.

A multidão aumentava de dia para dia. A fama do sannyasi depressa se espalhou entre as mulheres. Ele, ora recitava o Bhagvat ora comentava o Gita (3), ou pregava no templo acerca do tema que escolhiam num livro santo. Uns pediam-lhe conselhos, outros os seus sortilégios ou a sua ciência de curar.

Passaram-se meses. Em Abril, na época do eclipse solar, os banhos do Ganges atraíam uma multidão considerável. Uma feira se organizou sob as árvores de babla. Entre os numerosos peregrinos, acorridos para saudar o sannyasi, vinha um grupo de mulheres da aldeia onde Kusum fora casada.

Era uma manhã. O sannyasi, sentado num degrau, rezava, quando, de súbito, entre os peregrinos, uma mulher fazendo sinal a uma das suas companheiras, murmurava:

- Mas é o esposo de Kusum!

A companheira, afastando um pouco o véu exclamou:

- Palavra, é bem ele! É o filho mais novo dos Chattergi, que habita na minha aldeia!
Uma terceira, disse por sua vez:

- Ele tem exactamente a mesma testa, o mesmo nariz e os mesmos olhos.
Enquanto uma outra, sem mesmo olhar para o sannyasi, agitava a sua bilha na água, suspirando:

- Ai! Ele não é nem será o que foi! Pobre da Kusum!

Uma delas objectou então: «Ele não tinha uma barba tão grande»; e outra: «Ele não era tão magro»; uma outra ainda: «Parecia-me mais alto». E a discussão ficou por aí.
Uma noite de lua cheia, Kusum veio sentar-se perto da água, no mais alto dos meus degraus.

A sua sombra projectava-se sobre mim.

Estávamos sós junto do ghât. Os grilos cantavam à nossa volta. O tanger dos gongos e das sinetas do templo tinham cessado e o murmúrio da água era cada vez mais fraco, para se perder em breve, como a saudade dum som, nos bosques indistintos da margem oposta. Um raio da lua brilhava nas águas escuras do Ganges. Ao montante do rio, sob as sebes e arbustos, sob o pórtico do templo e sob os bosques das palmeiras, perfilavam-se sombras de formas fantásticas. Os morcegos balouçavam-se nos ramos de chatuns. Na proximidade das habitações, os chacais soltavam uivos arrepiantes e prolongados.

O sannyasi saiu do templo com o seu passo lento. Desceu alguns degraus ghât e viu uma mulher só. Ia afastar-se quando de súbito Kusum ergueu a cabeça; voltou-se. O véu caiu e a lua iluminou-lhe o rosto.

Um mocho voou por cima da sua cabeça. Ao ouvir o pio da ave ela estremeceu, ajustou o véu e prosternou-se aos pés do sannyasi.

O Sannyasi deu-lhe a bênção e perguntou:

- Quem sois?

Ela respondeu:

- O meu nome é Kusum.

Nessa noite não trocaram mais palavra. Kusum voltou para casa, lentamente, e o sannyasi permaneceu durante longas horas nos degraus do ghât. Quando, enfim, a lua emigrou do este para o oeste, o Sannyasi levantou-se e entrou no templo.

Vi todos os dias Kusum vir prosternar-se aos pés do sannyasi. Quando ele comentava os livros sagrados, permanecia a um canto e escutava-o; quando acabava as suas orações da manhã, ele chamava-a para junto de si e conversava com ela sobre assuntos religiosos. Kusum não podia compreender tudo, mas escutava-o com atenção e fazia esforços para o compreender. Ele dirigia-a e ela obedecia-lhe escrupulosamente.
Kusum ajudava o serviço, sempre pronta à adoração de Deus, colhendo flores para a oferenda e indo buscar água ao Ganges para lavar o chão do templo.

O inverno ia terminar. Os ventos eram ainda frios, por vezes; à noite, a brisa quente da primavera soprava bruscamente do sul e o céu tornava-se azulado; depois dum longo silêncio ouvia-se novamente o som das flautas e a música da aldeia. Os barqueiros deixavam ir os barcos ao sabor da corrente, paravam de remar e entoavam cânticos a Krishna. Era a primavera.

Nesta altura, perdi Kusum de vista. Havia alguns dias que ela deixara de aparecer no templo, no ghât ou diante do sannyasi.

Ignoro o que se passou então, mas, pouco depois, os dois encontraram-se de novo, uma noite, nas escadarias.

Com os olhos baixos, Kusum perguntou:

- Senhor, chamou-me?

- Sim, porque não vinhas? Porque esqueceste, há algum tempo, o serviço de Deus?

Ela ficou silenciosa.

- Diz-me o teu pensamento, sem receio.

Voltando o rosto, ela respondeu:

- Senhor, eu sou uma pecadora, faltei ao meu dever de adoração.

O sannyasi disse-lhe:

- Kusum, eu sei que a tua alma está perturbada.

Ela estremeceu ligeiramente; depois, cobrindo o rosto com o Sari, sentou-se no degrau aos pés do sannyasi e começou a chorar.

Ele recuou um pouco e continuou:

- Diz-me o que tens no coração; eu te mostrarei o caminho da paz.

Ela respondeu com fé e palavras entrecortadas:

- Se me ordena, falarei. Mas receio que não possa exprimir-me com clareza. Mestre, certamente adivinhou tudo. Eu adorei um ser humano como a um Deus, venerei-o, e, ao render-lhe este culto, o meu coração transbordou de felicidade. Mas uma noite, eu sonhei que o Senhor da minha alma estava sentado num jardim, estreitando a minha mão direita na sua mão esquerda e murmurava palavras de amor. A cena não parecia de forma alguma estranha. O sonho desfez-se, mas a sua impressão ficou. No dia seguinte, quando os meus olhos se levantaram para ele, pareceu-me diferente. A imagem que me apareceu no sonho continuava a perseguir-me. Atemorizada tentei fugir para longe, mas a imagem não saía do meu espírito. Desde então, a minha alma não conhece a paz, e tudo em mim se tornou sombrio!

Enquanto enxugava as lágrimas ao mesmo tempo que falava, o Sannyasi martelava convulsivamente, com o pé, o degrau de pedra.

Quando ela acabou de contar, o Sannyasi perguntou:

- Diz-me: quem viste no teu sonho?

Com as mãos juntas, ela suplicou:

- Não posso.

Ele insistiu:

- Deves dizer-me tudo.

Ela contorceu as mãos e interrogou:

- Assim o deseja?

- É teu dever! - respondeu o sannyasi.

Então ela exclamou:

- Senhor, fostes vós que eu vi!

E deixando-se cair no degrau, começou a soluçar profundamente.

Quando sossegou e pôde levantar-se, o Sannyasi disse numa voz meiga:

- Deixarei este lugar esta mesma noite e não me verás mais. Sabes que sou um sannyasi e que não pertenço a este mundo. Deves esquecer-me.

Kusum respondeu em voz baixa:

- Assim farei, Senhor!

O sannyasi murmurou:

- Digo-te adeus...

Sem dizer palavra, Kusum inclinou-se e tocou os pés do sannyasi com a fronte.

E o santo homem deixou a aldeia.

A lua desaparecera; a noite tornou-se escura. Ouvia-se o chapinhar da água. O vento soprava furiosamente nas trevas, como se quisesse varrer as estrelas do céu.


Notas:

1 Escadaria onde se toma banho.

2 Asceta ou monge.

3 Bagvat-gita: obra filosófica que faz parte do Ramugana.

FIM

Rabíndranáth Thákhur (रवीन्द्रनाथ ठाकुर)

Rabíndranáth Thákhur, ocidentalizado Tagore, (6 de maio de 1861 em Calcutá, Índia - 7 de agosto de 1941 em Calcutá) foi escritor, poeta e músico indiano.
Tagore foi o primeiro asiático a receber o Prémio Nobel da Literatura, em 1913. Nasceu em Calcutá, na Índia, e estudou Direito na Inglaterra de 1878 a 1880. Retornando ao país em 1890 para administrar propriedades agrícolas da família, dedica-se ao desenvolvimento da agricultura e a projetos de saúde e educacionais. Com formação filosófica, chega a criar uma escola em 1901, dedicada ao ensino das culturas e filosofias ocidentais e orientais. Sua obra poética compreende uma coleção de três mil poemas em língua bengali sobre temas religiosos, políticos e sociais. A obra em prosa, orientada por preocupações humanistas, é extensa. Inclui oito novelas, 50 ensaios e contos. Como músico, compõe duas mil canções. O volume de poesias mais conhecido é Oferenda Poética (1913-1915). Seus últimos trabalhos, entre eles, Cantos Musicais (1910), são classificados dentro do simbolismo. Renuncia, em 1919, ao título de Sir em protesto contra a política britânica em relação ao Punjab.

"O homem só ensina bem o que para ele tem poesia" - Rabíndranáth Thákhur
-xXx-

Verdades

Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela acompanho com olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.

Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.

Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei.
Liberta do invólucro físico
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.

Vivi meus três caminhos na terra.
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não reincidir nos mesmos erros.

Agora - vago e espero
Entre ápodos e flagelos
O ressurgir da verdade

-xXx-

Gitanjali
(um dos poemas)

Deixa a cantilena, o cântico e a recitação de contas de rosário!
A quem veneras neste recanto solitário e escuro dum templo de portas fechadas?
Abre teus olhos e vê que teu Deus não está diante de ti!
Ele está onde o agricultor está lavrando o chão duro e onde o pedreiro está rachando pedras.
Ele está com eles no sol e na chuva, e sua roupa está coberta de poeira.
Remove teu manto sagrado e como Ele desça para o chão empoeirado! Libertação?
Onde se encontra esta libertação?
Nosso mestre assumiu pessoalmente com alegria os vínculos da criação;
Ele está vinculado a nós para sempre.
Sai de tuas meditações e deixa de lado tuas flores e o incenso!
Que mal há se tuas roupas ficam gastas e manchadas?
Encontra-o e fica com Ele na faina e no suor de tua face.

-xXx-

Da sua obra, o poema a Canção da Noite:

Se o dia já se foi, se os pássaros
pararam de cantar e se o vento desistiu
cansado, então cobre-me bem com o
espesso véu da treva, assim como cobriste a
terra com a coberta do sono e ternamente
fechaste as pétalas do lótus que se inclina
ao pôr-do-sol.
Retira a vergonha e a pobreza do
caminhante que esvaziou o seu bornal
antes de findar a viagem, que está com as
vestes rasgadas e empoeiradas, e cuja força
se exauriu. Renova a sua vida como a de
uma flor envolvida pelo manto da tua
bondosa noite.

Tradução de Ivo Storniolo

-xXx-

Frases...

Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos decepciona.

Onde o espírito não teme, a fronte não se curva.

Não podes ver o que és. O que vês é a tua sombra.

Se fechar a porta a todos os erros, a verdade ficará lá fora.

Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza.

O meu poema é a resposta da alma ao apelo do universo.

Nem por crescer em poder chegará o falso a ser verdadeiro.

O trabalho só nos cansa, se não nos dedicarmos a ele com alegria.

O único mundo da mulher é o coração do homem.

Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas.

O maior vai de boa mente com o mais pequeno. O medíocre vai sozinho.

O amor é um mistério sem fim, já que não há nada que o explique.

O poder infinito de Deus não está na tempestade, mas na brisa.

Os homens são cruéis, mas o homem é bom.

A inteligência aguda e sem grandeza tudo fura e nada move.

É tão fácil esmagar, em nome da liberdade exterior, a liberdade interior.

Formosura, procura encontrar-te no amor, não na adulação do espelho.

Se choras porque perdeste o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas.

A falta de amor é um grau de imbecilidade, porque o amor é a perfeição da consciência.

O homem mergulha na multidão para afogar o grito do seu próprio silêncio.

A noite abre as flores em segredo e deixa que o dia receba os agradecimentos.

Mega Encontro

Well, o caso é o seguinte: há tempos que ouço vários de vocês querendo rever o pessoal à moda antiga dos nossos encontros no X e tal. O "X" parece que fechou mas felizmente existe vários lugares, até melhores, pela cidade. Quem me conhece sabe, não gosto de lugar barulhento e caro! De resto... tudo é festa, um lugar calmo é sempre bom pra conversar, certo?

Então a idéia deste post aqui é que coloquem um comentário abaixo dizendo quando acham que seria uma boa pedida.
Eu sugiro algum lugar no Centro ou Cidade Baixa, porque fica mais democrático, mais perto para todos. Se for em um dia de semana (prefiro) sugiro 19h, porque a pessoa sai do trabalho, faz uma "hora feliz" e vai pra casa, como antigamente, já adianto que não posso nas segundas. Então era isto, façam seus comentários, coloquem seus horários disponíveis e assim tentamos 'fechar' um bat-encontro que seja bom para todos.
Hasta la vista.

4 de setembro de 2007

Você verá uma fotografía espectacular

O que tem de espectacular?

Esta foto é de uma formação rochosa que existe em um lago da Birmânia. Só é possivel tirar essa foto em um determinado período do ano, devido a iluminação solar. Apoia a cabeça sobre o seu ombro esquerdo e veras por que ela é espectacular.



Tem um pps rolando pela internet com este assunto aí acima. Ok, a imagem é legal, mas achar que é uma fotogragia de verdade é demais, não?
Quem não lembra deste famoso índio (falso) em Machu Pichu?





Algumas outras imagens do tipo, feitas em computador:


























































12 de julho de 2007

Sem título

Quando temos consciência de que a causa de algo está em nós mesmos e de que somos um dos poucos elementos do universo que têm o direito e a capacidade de promover mudanças, começamos a perceber as escolhas que nos são oferecidas, a vislumbrar nosso próprio poder e a descobrir que somos responsáveis por nossas vidas, nosso futuro e nossos sonhos.